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José Francisco Trindade Coelho (1861-1908) nasceu em Mogadouro, Trás-os-Montes, frequentando o curso de Direito na Universidade de Coimbra. Foi delegado do Procurador Régio no Sabugal e em Portalegre. Em 1891 fixou-se em Lisboa, trabalhando primeiro como advogado e depois como juiz. Em 1907 pediu a demissão do cargo, suicidou-se no ano seguinte. Além de alguns estudos jurídicos, escreveu: Os Meus Amores (contos, 1891), In Illo Tempore (memórias, 1902), Autobiografia e Cartas (1910), ABC do Povo (livro pedagógico, 1901), O Primeiro Livro de Leitura (manual escolar, 1903), O Segundo Livro de Leitura (manual escolar, 1903), O Terceiro Livro de Leitura (manual escolar, 1903), O Senhor Sete Dispersos Folclóricos e de Doutrina Literária (1961). PARÓDIA AOS LUSÍADAS Os grandes paspalhões assinalados, Que nas reuniões da Academia Foram solenemente apepinados Por sua telha ou sua fidalguia, Que nas guerras das mocas esforçados Mais do que a força humana permitia No Teatro Académico asnearam Tolices de que todos se espantaram; E também as façanhas gloriosas Dos Cabrais e Waldecks e quejandos, Que à noite, com as vozes mais fanhosas, andam o nível a pedir em bandos; E as diabólicas fúrias deliciosas De certos quintanistas memorandos, Cantando espalharei por toda a parte. Há-de-se rir o mundo até que farte. Ó musa da ironia e da arruaça, Que tens excepcionais o gesto e o peito, Vira-te para mim e põe-te a jeito De inspirar um poema de chalaça; Quero um poema esplêndido, perfeito, Que vos celebre e que subir vos faça, Num pulo só, da glória à mor altura, Cavaleiros da mais triste figura! Haviam sido há pouco apepinados Os meus heróis, que andavam murmurando Que na Trindade ou para aqueles lados Se estava contra eles conspirando, Quando uma noite andando endiabrados Pela Feira sobre isto conversando, Uma moca que os ares escurece Sobre as suas cabeças aparece. Viu-se o Waldeck! Vinha carregado Com a moca que pôs a todos medo. "Ai rapazes!, bradou, venho estafado Qual se trouxesse às costas um rochedo! Deixai-me descansar só um bocado Para depois contar-vos um segredo." E diziam os outros: "Co'esta moca 'Stamos seguros, pois ninguém nos toca." |
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