Pedro Laureano de Mendonça da
Silveira (Fajã Grande, 5.9.1922 - Lisboa, 13.4.2003), nascido na freguesia florentina menos distante do continente
americano, foi apelidado, com propriedade "o mais ocidental poeta europeu".
Afirmou-se,
politicamente, anarquista dada a admiração nutrida pelos anarco-sindicalistas
terceirenses Jaime Brasil e Aurélio Quintanilha.
Toda a
vida cultivou estreita relação com a escrita, o que fez dele poeta,
investigador histórico e crítico literário, realizando também trabalho sobre a
etnografia da ilha das Flores, onde recolheu romances, provérbios, contos e
adivinhas, o que lhe permitiu transpor a fala do povo para alguns dos poemas
que compôs.
Dispersou
o seu labor incessante por diversas áreas (P. da S. foi um das formas como assinou),
desde logo colaborando na imprensa escrita (insular, continental e estrangeira)
entre outras na Seara Nova (a cujo conselho de redacção pertenceu até
1974), na Colóquio-Letras (1973-1991) e na Vértice.
Foi no
jornal micaelense A Ilha que a partir de 1945, deu a conhecer uma das
expressões da cabo-verdianidade (revista Claridade (1936) movimento
literário cuja divulgação, em Portugal, muito lhe deve.
Entre
as décadas de 50 e de 80 do século XX, pelo menos, dedicou-se a traduzir textos
de várias áreas temáticas que, por vezes também adaptou, como foi o caso de D.
Quixote de la Mancha, da «Biblioteca dos Rapazes».
A poesia,
contudo, corria-lhe nas veias e, além da obra que legou à posteridade, abalançou-se
a verter de várias línguas, tarefa que lhe ocupou perto de três décadas, um
total de cerca de 200 poemas de 60 poetas, oriundos de vários países e de
diversas épocas, compilados na soberba colectânea Mesa de Amigos que
conheceu, até agora, duas edições.
O seu
"exílio" na capital, teve início, em 1951, mas a ilha e o arquipélago natal
eram-lhe inseparáveis e proclamava-o à saciedade. No prefácio à primeira
antologia de poetas açorianos que elaborou, com a lucidez que o caracterizava,
autonomizava a literatura açorense das restantes literaturas de expressão
portuguesa.
O rigor
e a perfeição eram suas preocupações dominantes tendo sido um dos inspiradores
da «Enciclopédia Açoriana», pese embora não ter vivido para a ver concretizada.
A generosidade com que partilhava informações e a disponibilidade para
encontrar o que parecia inexistente tornou-o inesquecível a quantos o
conheceram na Biblioteca Nacional, de onde se reformou em 1992 e à qual doou o
seu espólio que ali se encontra ao dispor dos investigadores.
Pedro
da Silveira, que cursou a Universidade da vida, permanecerá como "um
exemplo, sadio e forte, do que é ser-se açoriano no Mundo".
Obras de Poesia: A Ilha e o Mundo,
1952; Sinais de Oeste, 1962; Corografias, [1985];
Poemas Ausentes, 1999; Fui ao Mar Buscar Laranjas I, Angra do
Heroísmo, 1999 (único volume da sua obra completa publicado)
Obras Diversas: Mesa de Amigos,
2.ª edição, 2002 (selecção e tradução); 43 Médicos Poetas (antologia)
1999; Mais alguns romances da Ilha das Flores, 1986; Os últimos
luso-brasileiros: sobre a participação de brasileiros nos movimentos literários
portugueses do Realismo à dissolução do Simbolismo, 1981; Antologia de poesia açoriana: do
século XVIII a 1975, 1977; "Açores", Grande Dicionário de Literatura
Portuguesa e de Teoria Literária (coord. João José Cochofel), 1977, 1.º
vol.; Miguel de Cervantes Saavedra, D. Quixote de la Mancha, 1966; "Para a
história do povoamento das Ilhas das Flores e do Corvo: com três documentos
inéditos", Boletim do Núcleo Cultural da Horta, Faial, 2, 1960, pp.
175-198.
Biografias: Álamo Oliveira, "Pedro
da Silveira (1922-2003) - Um breve perfil", Boletim do Núcleo Cultural da
Horta, Faial, 13, 2004, pp. 75-80; Boletim do Núcleo Cultural da Horta,
Faial, 15, 2006, pp. 9-116 (toda a Secção Temática).