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Curvo Semedo (1766-1838) nasceu em Montemor-o-Novo e faleceu em Lisboa. Foi sócio da Nova Arcádia, tendo rivalizado com Bocage. Traduziu as Fábulas de La Fontaine. A sua obra poética foi reunida no volume Composições Poéticas. (FÁBULA) «Apostemos, disse à lebre A tartaruga matreira, Que eu chego primeiro ao alvo Do que tu, que és tão ligeira!» Dado o sinal da partida, Estando as duas a par, A tartaruga começa Lentamente a caminhar. A lebre tendo vergonha De correr diante dela, Tratando uma tal vitória De peta ou de bagatela, Deita-se, e dorme o seu pouco; Ergue-se, e põe-se a observar De que parte corre o vento, E depois entra a pastar; Eis deita uma vista de olhos Sobre a caminhante sorna, Inda a vê longe da meta, E a pastar de novo torna. Olha; e depois que a vê perto, Começa a sua carreira; Mas então apressa os passos A tartaruga matreira. À meta chega primeiro, Apanha o prémio apressada, Pregando à lebre vencida Uma grande surriada. Não basta só haver posses Para obter o que intentamos; É preciso pôr-lhe os meios, Quando não, atrás ficamos. O contendor não desprezes Por fraco, se te investir; Porque um anão acordado Mata um gigante a dormir. Composições Poéticas |
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